Um dos grandes desafios que temos no Daqui e trabalhar com a proteína animal. Este é o produto mais difícil de se conseguir para os nossos cardápios. Animais de pasto hoje em dia, principalmente suinos e frangos, é bem difícil.
Acho importante falar que, para nós aqui no Arupa, a carne é apenas mais um ingrediente, comemos carne apenas uma ou duas vezes na semana (depende do que temos) e as porções que são trabalhadas no Daqui são pequenas, em torno de 60grs por pessoa. Nossa experiência tem nos mostrado a ligação íntima entre a agricultura e a pecuária. Nossa horta e nosso gadinho estão interligados em um ciclo sustentável. Muito bacana de ver. Aí temos alimentos de origem vegetal e animal em abundância fazendo a nossa mesa ficar completa. Assim vivemos e vemos o ciclo sustentável da carne. Estou para ler um livro que dizem ser muito bom. Vou indicar mesmo sem ter lido, quando ler, postarei meus comentários. Link pro livro aqui.
As bandejas de supermercado têm por trás um modelo nada, nada sustentável, realidade bem ruim. E esta realidade está por trás das bandejas da carne e das bandejas de vegetais... e das caixinhas, saquinhos... Eu não separo a carne do restante dos alimentos, nem mesmo do restante dos itens de consumo. A cadeia onde qualquer item esta inserido mostra o quão sustentável é o ciclo de vida daquele item. Postei em 2010 um texto do Jamie Oliver sobre a carne que gosto muito, quem tiver interesse, link aqui.
Então, tudo isso para dar uma breve introdução de como vemos a carne aqui no Arupa. Ah, postei também um texto sobre o abate do nosso boizinho, link aqui.
Conseguimos carne suína de pasto! E aproveitamos para chamar um especialista em embutidos, o Leonardo Magni (foi uma indicação da Michelle Leão, aquela amiga que fez a oficina das crianças aqui no sítio, link aqui). O Leonardo trabalhará com linguiças frescas para que os produtos possam ser orgânicos, nada de nitritos e nitratos. Claro que isso é possível em pequena quantidade, em fabricação caseira, bem ao estilo Arupa! Serão duas linguiças suínas e uma de coelho (do nosso vizinho, já falei dele antes, link aqui).
As vagas já estão abertas e estão indo rapidinho, pois são somente 12 vagas! Ficou interessado? Faça contato!
Oficina de Embutidos Orgânicos Frescos com Leonardo Magni
sexta-feira, 15 de março de 2013
Chef Picão Preto, muito prazer
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Hoje estava desfolhando uma bacia de Picão Preto. Sim, Picão Preto, aquele que tem uns espetinhos mal vistos que ficam grudados na nossa roupa ou pinicam as pernas. Fui na contra-mão e me embretei num mato de Picão Preto. (peguei a dica no blog come-se)
Então, enquanto desfolhava as
tenras folhas, me ocorreu uma pergunta que pode ser feita para
qualquer pessoa que se aventure na cozinha: você define o cardápio
que vai cozinhar e vai em busca dos ingredientes ou verificando os
ingredientes disponíveis no mercado (ou até mesmo nas prateleiras
da despensa) define o cardápio?
De onde eu vejo, e
deixo claro que é uma visão pessoal e parcial, ter uma cozinha
sustentável está diretamente ligado à resposta desta pergunta.
Cada vez que penso/crio
o cardápio do Daqui (e para quem não sabe o que é o Daqui, visite
nosso blog neste link), ele leva em conta o que tenho disponível no
sítio, depois nos vizinhos, depois na feira e assim por diante. Tudo
o mais próximo possível. Quem manda nesta cozinha são os
ingredientes.
Esta semana surgiu aqui
em casa um bate papo despretensioso sobre ser ou não ser um chef de
cozinha. Isso porque eu afirmo que não me considero uma chef de
cozinha. Posso discorrer sobre a nossa conversa, mas ela segue
caminhos que podem me levar para longe do tema central. Meu
interlocutor fez a derradeira colocação: “mas tu és chef da tua
cozinha, da cozinha do Daqui”.
Negativo!
Nã, nã, ni, nã, nã.
Injustiça absoluta com quem reina por aqui. Injustiça com os
ingredientes. Aqui eles mandam. Os ingredientes que estão mais
frescos, mais abundantes, mais salientes entram em cena e comandam o
espetáculo.
Na próxima edição do
Daqui teremos o Picão Preto que acabei de colher, o tomate que o
Deva colherá esta semana, o feijão branco recém-colhido, bem
novinho que comprei na feira, o butiá, a geléia de pêra que fiz
mês passado, a folha de vinagreira que comprei do Dodô. Como posso
me atrever a dizer que sou a chefe. Acho que estou mais para
utensilio... E você?
E deixo claro meu respeito por todos os Chefs de cozinha que fazem verdadeiras mágicas com os chefes ingredientes. Uso a brincadeira apenas para um leve cutucar em todos os que se aventuram nesta arte. Um convite para um olhar um pouco mais atento ao que a terra dá o mais próximo e fácil de onde cada um está. Um viva para o Picão Preto!
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Oficina Cozinhando Histórias com orgânicos - Como foi
domingo, 3 de fevereiro de 2013
No último post do Blog eu comentei que faríamos a primeira edição da Oficina Cozinhando Histórias com Orgânicos aqui no Arupa - uma parceria com a Michelle Leão. Link aqui.
A oficina foi uma delícia. Pensei em escrever um texto sobre ela, mas nossa super amada amiga, Cinthya Verri, tirou muitas fotos. Como a história narrada para esta oficina foi a história construída pelas crianças, deixo que as imagens falem por si. No máximo, pequenos comentários...
Sítio pronto para receber os convidados especiais.
E eles chegam ainda quietinhos, com uma pontada de sono.
Começamos com a história, acompanhar o resíduo orgânico recém saído da cozinha.
E eles cheiram e tocam naquilo que um dia foi o "lixo" da cozinha. Virou coco de minhoca!
O sono foi embora e a alegria é que move. Vamos para a horta, vamos ver para onde vai o coco da minhoca.
Reconhecendo os canteiros e o papel do "coco da minhoca" na horta
Colhendo folhas
Colhendo tomates
E vamos para a cozinha! Fila para lavar a mãos!
Preparando a sobremesa com o tio Deva
Quebrando os ovos para fazer a massa. Novos amigos!
Mão na massa!!
Pausa para um bate papo
Voltando ao foco
Passamos para polpa de butiá! Suco e calda para a sobremesa garantidos!
Pappardelle pronto
Finalizando os pratos
E a mesa. As crianças serviram as convidadas.
Prato limpo!
Uma tia atenta e boba.
Uma mana carregada com a sensibilidade e a arte... através da lente! Não saiu nas fotos, pois estava atrás da câmera.
O que fica... gratidão!
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