Hoje estava desfolhando uma bacia de Picão Preto. Sim, Picão Preto, aquele que tem uns espetinhos mal vistos que ficam grudados na nossa roupa ou pinicam as pernas. Fui na contra-mão e me embretei num mato de Picão Preto. (peguei a dica no blog come-se)
Chef Picão Preto, muito prazer
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Hoje estava desfolhando uma bacia de Picão Preto. Sim, Picão Preto, aquele que tem uns espetinhos mal vistos que ficam grudados na nossa roupa ou pinicam as pernas. Fui na contra-mão e me embretei num mato de Picão Preto. (peguei a dica no blog come-se)
O Ano Novo, a Faxina e os Amigos: Livros!
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Como é de praxe aqui no Arupa, aproveitamos os dias do fim do ano com toda a sua calmaria e seu calor para colocar a casa abaixo. E depois montamos novamente. Não fizemos isso desta forma no ano novo 2011/2012, pois havíamos recebido ventos difíceis um pouco antes do Natal. Desta forma, resolvemos botar para quebrar no nosso ano novo 2012/2013 (essa é a nossa forma estranha de botar para quebrar no reveillon). Terminamos esses dias com os corpos moídos, mas a alma lavada. O alívio de colocar as coisas em movimento.
Nesta semana, coloquei alguns dos meus melhores e mais íntimos amigos para tomarem um banho de sol. Lindos.
Depois de ter o escritório bem faxinado trouxemos todos de volta para as prateleiras. Um bonito movimento. Me surgiu as perguntas: como você organiza os livros na sua casa? Por ordem alfabética? Por cor? Por tamanho? Por assunto?
Pois é, aqui no Arupa organizamos nossos livros por afinidade. Sabemos que quem não entende a nossa lógica/afinidade se perde em meio as prateleiras e livros. Mas afinal, de quem é a biblioteca?
Na prateleira com melhor acesso estão os nossos melhores amigos. Aqueles que são tão íntimos que chegam a nos confundir: ele sou eu? Aqueles que revisitamos incansavelmente, voltando com muita frequencia para a nossa mesa de cabeceira. Uma relação de amor profundo. São aqueles amigos que muitas vezes nos tiram da zona de conforto. Só os melhores amigos conseguem/podem fazer isso. Dando uma palhinha, nesta prateleira juntamos: Nisargadatta com Douglas Adams; Alan Watts com Tolkien; Osho com Alberto Caeiro; Walt Whitman com Nietzsche; Veríssimo com Rumi. E por aí vai... amigos realmente muito íntimos.
Na segunda prateleira são os amigos que amamos e nos damos muito bem, visitamos eles com frequencia. Porém, com eles, não corremos o risco de perder a estrutura. São amigos confortáveis. Eles têm um colo macio que amamos. Alguns deles: Lewis Carrol, Neruda, Ken Wilber, Amit Goswani. E por aí vai...
Na terceira prateleira são os amigos especialistas. Aqueles amigos com quem podemos ficar horas seguidas juntos conversando sobre um mesmo tema. É uma delícia! Amigos com quem os encontros perdem as horas e a troca é imensa. Alguns exemplos: Barbara Kingsolver (breve citação aqui, livro que merece um post), Alice Waters (falei dele aqui), Pe. Ivanir João Franco, Rudolf Steiner (caso bem específico do Steiner, pois é um livro de agricultura, bem possível que algum outro livro dele fosse para outra prateleira). Esta prateleira tem muitos livros de agricultura, cultivo, alimentos, receitas, meio ambiente, sustentabilidade. É nela que está o livro do meu querido pai, amigo de muitas horas e com certeza um amigão específico para a cozinha. Já falei dele aqui e aqui.
Depois temos a prateleira dos parceiros. Aqueles que nos dão boas conversas e bons momentos, mas não nos chamam para revisitá-los. Ficam guardados com carinho dentro de nós e na prateleira. Sendo que, algumas vezes, deixamos eles irem com novos amigos.
Também temos a prateleira que divide o grupo da autoajuda com o grupo técnico empresarial (se é que podemos dizer assim). Num lado um grupo, noutro o outro e uma escultura de pedra no meio. São livros de contabilidade, finanças, marketing, planejamento estratégico... amigos que não revisitamos, mas acreditamos (deixo claro que é uma crença falida) que podem ser necessários em algum momento. No lado da autoajuda encontramos o Anticâncer (meu livro de cabeceira por muitos meses de 2012, falei dele aqui), livros de Tarot, livros do Jung, psicodrama. Amigos que buscamos quando estamos num beco sem saída. São bons amigos, bons ouvintes. Nós recorremos a eles e depois de lê-los voltamos para a primeira prateleira.
Há a prateleira de revistas. Sim, eu revisito revistas. São revistas de cozinha, jardinagem, arquitetura e decoração. Como não dou a menor bola para moda, vejo bem feliz uma revista dos anos 70, 80, 90 ou 2000. E sempre encontro muito boas ideias. Parecem sempre revistas atuais e novas para mim. Sem contar que é bem econômico.
Ainda temos a prateleira dos amigos mal lidos, ou seja, aqueles com quem não temos nenhuma afinidade. São os amigos com quem ficamos alguns instantes e cansamos. Alguns deles já mereceram inúmeras investidas, mas acabamos sempre desistindo. Porém, confiamos na vida e na sua capacidade de criação. Vai que a afinidade surge de uma hora para outra? Afinal, eles parecem tão lindos, tão interessantes. Bons exemplos desta prateleira são os amigos “O monge e o executivo” e o “Quem somos nós”.
Alguns amigos perdidos pipocam aqui e ali no nosso critério subjetivo. Mas como são poucos, acabamos deixando junto com algum grupo para que façam novos amigos. Além dos de arquitetura e artes, gatos pingados que ficam nos escritório já que a maioria encontra-se na sala para que outros amigos possam conhecê-los.
Por fim, alguns amigos de quem nos despedimos. Amigos que terão outro destino. E desejamos que sigam seu caminho e encontrem bons novos amigos, com real afinidade. Afinal, ano novo, vida nova para todos que amamos. E a isso, incluo os livros, meus amores secretos. O problema é que, por mais que nós deixemos alguns amigos seguirem seus rumos, novos surgem e as prateleiras vão ficando pequenas. A sensação que tenho é que são muitos amigos por amar! Continue lendo >>
Visita dos alunos e professores do Senac no ARUPA
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Faz tempo que não escrevo no Blog, a correria está grande.
Mas realmente esta postagem vale uma parada na correria para compartilhar. No domingo passado, dia 02/12, recebemos a visita de professores e alunos do curso de cozinheiro básico do SENAC. Mais um passinho dado na área de educação. No ano passado, propus uma visita piloto com a minha turma de cozinheiros. Acabamos organizando um dia muito legal, com a presença também de alunos e professores. Vide link.
A ideia é que esta atividade se torne curricular, mas ainda não chegamos lá. O bacana é que professores do SENAC tem em si a semente deste projeto, sabem da importância de levar o aluno a conhecer a origem dos ingredientes, sabem a importância de apresentar os alunos aos produtores. Desta forma, o querido amigo e professor, Gabriel Rossi, nos cutucou para recebêssemos novamente um grupo aqui no sítio. E assim foi.
O dia foi dividido em atividades da manhã e da tarde. Eles chegaram aqui no sítio às 7h45. Madrugaram para estarem aqui. O Deva iniciou o dia com uma breve conversa sobre nossa vinda para cá. Depois, caminhamos pelo sítio, falamos de manejo ecológico, permacultura, mostramos o processo de compostagem, falamos de resíduos.
Entramos na casa e fizemos o exercício do desenho do fluxo de alimentos que foi apresentado para toda a turma. A atividade foi bem legal. Finalizamos com uma conversa em roda.
De tarde saímos em carreata rumo ao Sítio da Sirley, produtora de Viamão com banca no Bom Fim. Eles produzem queijo, pães, doces, conservas e hortaliças que vendem na feira. E produzem galinha, pato, ovos para consumo próprio.
A Sirley nos recebeu com um generoso almoço muito saboroso. Os alunos tiveram a oportunidade de conhecer uma família que vive da produção de orgânicos, conhecer a produção, os animais... Além de terem o acesso aos produtos diretamente da fonte. O que podem querer mais?
Feliz, feliz fico eu com esta atividade. Ainda com a meta de que seja curricular, pois de onde vejo o ganho que os alunos têm é realmente muito grande. Mas vamos indo, um passinho de cada vez...
E agradeço ao Reinaldo por nos autorizar a publicar as lindas fotos que ele tirou! Continue lendo >>
Oficina de biscoitos no CEDIN
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Semana passada, o Deva e eu fomos fazer uma oficina de biscoitos no Centro de Desenvolvimento Infantil Jardim do Castelo – CEDIN.
O CEDIN é um daqueles lugares apaixonantes que dá vontade de visitar sempre. Nele trabalham mais um tanto daqueles que considero os heróis anônimos do nosso tempo (assim como meus amigos produtores orgânicos ou os queridos do Papo de Responsa). A diretora, Mosa, a equipe de professores, as pessoas que compartilham/revezam a cozinha... todos são voluntários. Nosso grande amigo Juca, acupunturista do Deva, amigo de todas as horas é o cozinheiro das sextas-feiras. Foi ele quem nos convidou para ir lá conhecer o CEDIN.
No CEDIN, as crianças estão diariamente em um ambiente de muito amor, muita abundância.
Vou lá, faço uma oficina e saio com desejo de quero mais. Vou lá, faço uma oficina e sinto que é pouco. Vou lá, faço uma oficina e sinto que é muito... recebi muito! Vou lá, faço uma oficina e me sinto impotente. Muitas perguntas me surgem e vejo que relações sociais não é uma ciência exata. É desafio, é circular.
Se você quiser conhecer o CEDIN, apoiar o CEDIN, receber tudo o que eles têm para dar, me escreva que faço questão de te levar lá.
Fico muito, mas muito feliz em conhecer esses heróis e o gostinho de quero mais que inquieta é a garantia de ir lá mais vezes e a garantia de seguir pelo caminho que estamos indo. Abaixo alguns registros que o Deva fez. Só não tiramos fotos dos biscoitos prontos. Mas garanto que ficaram deliciosos. Receita aqui.
Creio que todos! Abundância...
Bardana, lírio do brejo, boa companhia...
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Ando meio distante da cozinha, distante do blog... No sábado passado nos visitou o Gabriel, meu querido professor do SENAC. A partir desta visita surgiu um leve movimento de retorno às panelas. Cozinhamos juntos. Uma delícia!
A entrada foi bardana (quase um kimpira gobo - sem cenoura) refogada no shoyu, sakê e gergelim. Foi a primeira bardana que usei do canteiro. Ela não cresceu o esperado - talvez porque não tenha dado tempo suficiente ou o canteiro deva ser mais alto. Aqui o link para a saga completa. Como são 60 pés, vou usando aos poucos e acompanharei o desenvolvimento. Já tenho idéias alternativas para novas experiências de plantio para a próxima safra.
O prato principal foi uma ripa de costela assada no forno com papel alumínio em fogo baixo por 03 horas. Nunca tinha feito ripa no forno, ela é bem gorda... ficou super macia, mas ainda prefiro na churrasqueira, fica menos pesada.
Acompanhando a costela, um prato inusitado: massa feita em casa (pelo Gabriel) no pesto de espinafre e raiz de lírio do brejo. O desafio era pensar em um prato salgado com a raiz do lírio do brejo. Foi divertido fazer. Ficou gostosa, mas ainda deverá ser aprimorada. Fomos comedidos na raiz, poderia ter mais. O lírio do brejo é um ingrediente bem intenso. Como muito bem colocou o Gabriel, no começo é floral, depois fica amargo e por fim é picante. Uma abundância de sabores em um pequeno naco de raiz. O laboratório com o uso de alimentícias não convencionais seguirá, foi o desafio proposto ao Gabriel que levou para casa um bom pedaço da raiz.
O pesto usado foi básico: espinafre, um dentinho de alho, parmesão, azeite de oliva, nozes pecãns. A raiz de lírio do brejo foi fatiada em lascas finas, levemente refogada.
Para finalizar, doce de leite, queijo e nozes... sobremesa de última hora para acompanhar o cafezinho.
Continue lendo >>
Presença e Amor
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Hoje escrevo no blog um texto que foge um pouco aos posts que normalmente publico.
Em abril de 2011, escrevi um texto sobre um legado da família que muito contribui para o meu amor pela cozinha. Falei sobre o amor do meu pai pela cozinha e sobre o livro que ele escreveu: Machão de Avental.
Em janeiro deste ano falei sobre alimentação e a relação da alimentação com casos de câncer. Link aqui.
Pois é, meu querido pai recebeu o diagnóstico de câncer em dezembro de 2011 e faleceu na semana passada em Florianópolis. Foram 06 meses muito intensos que pareciam estar em outra dimensão. Nos últimos dois meses suspendi alguns projetos (incluindo o Daqui), estive menos na cozinha, cozinhei mais em Florianópolis do que em Viamão.
Hoje resgato o livro "Machão de Avental". Dele retiro o texto onde o pai fala do amor pela cozinha, traçando palavras que descrevem cuidado, descrevem transbordar. E isso me toca! Sou grata!
Devagarito vou voltando, devagarito vou assentando e retomando as ações que ficaram suspensas.
Agradeço muito o carinho das pessoas queridas neste momento.
Com amor
Priya Continue lendo >>
Plantando bardana - a saga!
sábado, 7 de abril de 2012
Eu já falei algumas vezes da Bardana aqui no Blog, mas não falei da saga dos últimos meses. Hoje resumirei tudo para registrar a experiência. Pois pode ser válida mais tarde e até mesmo para outras pessoas.
Amo bardana e sempre desejei produzi-la aqui no sítio. Este projeto já percorre alguns anos e tenho certeza que em algum momento encontraremos a melhor forma de lidar com ela.
Para quem não conhece a planta, coloquei foto neste post.
A parte que gostamos de comer é a raiz. Para quem não conhece a raiz, foto aqui. Esta bardana ficou meio achatada, pois o solo onde foi plantada estava compactado. A bardana precisa de solo arenoso.
Ganhamos algumas sementes dois anos atrás. Plantamos alguns pés que seriam geradores de sementes. Deu certo. Neste processo de gerar sementes, descobri que a bardana é uma planta anual, depois de gerar sementes, ela larga as sementes no chão e deixa espaço para as mais novas (lembrando o girassol).
No ano passado conheci uma pessoa que me falou que plantava bardana em uma caixa d'água cheia de canos de pvc. Colocava uma muda em cada cano. Isso facilitava a colheita. Depois disso, li no blog da Marisa Ono sobre plantar bardana em sacos grandes (link aqui). Juntando uma idéia à outra resolvi fazer uma caixa de tijolos para plantar a bardana em saquinhos. Imediatamente lembrei-me do saquinho do jornal de Porto Alegre que é fino e comprido. Como não assinamos nenhum jornal, iniciei a campanha de arrecadação de saquinhos de jornal.
Aí a saga se inicia. Em novembro pedi os saquinhos. Muitas pessoas aderiram a campanha e hoje tenho mais de 400 saquinhos comigo. Obviamente não usei todos. Mas não tem problema, ainda darei algum destino a eles.
Bom, minha idéia era iniciar o plantio assim que as sementes secassem e plantar umas 20 mudas a cada 15 dias para ter bardana por um bom tempo. Pelo que li, o prazo para colheita é depois de 4 meses.
No dia 30/01 fiz a caixa que ficou apenas aguardando as sementes secarem. Eu queria plantar umas 100 mudas.
Ela é a Luz, nossa filhota maluquete
Não consegui fazer o segundo plantio em 15 dias, acabei fazendo em 30 dias. Plantei mais 12 mudas no dia 20/03 e no dia 21 saí em viagem por 05 dias. Quando voltei meu canteiro estava parcialmente demolido. A Luz tinha derrubado a mureta pelo lado das novas mudas e todas haviam caído no chão. Uma tristeza. Fiquei bem desanimada.
Hoje tomei coragem! Tudo de novo. Resolvi diminuir o canteiro, deixei de um tamanho para 45 mudas. Arrumei os saquinhos que ainda tinham mudas, separei mudas que brotaram juntas e plantei todas as que faltavam. Aproveitei e tirei uma foto. A Luz está presa e soltaremos daqui a pouco. Tenho dúvidas se o canteiro estará no mesmo lugar amanhã...
Ainda veremos se deu certo. Esta história ainda não chegou ao fim. Porém, já pensamos em uma outra forma de plantar bardanas: usando uma caixa d'água velha (de amianto que foi desativada) e garrafas pet. Testes compartilhados! Se alguém resolver plantar bardanas de maneiras malucas, ficam aqui essas dicas. E quem tiver dicas para nos dar, por favor, fique a vontade.
E prometo contar os resultados desta saga, mesmo que seja um canteiro no chão amanhã... Continue lendo >>
Abundância da vida! Qual a melhor maneira de tirar um enxame do telhado?
domingo, 1 de abril de 2012
Em outubro do ano passado eu falei sobre o enxame que foi tirado do telhado da nossa casa (link aqui). Hoje, parte dele está em uma caixa no pomar perto da roça de inhame. A caixa foi aberta e para felicidade geral está lotada. É muito emocionante de ver. Teremos muito mel para o ano de 2012 aqui no Arupa! Amplia-se a rede de abundância no momento em que abrimos as nossas portas. Lindo, não?
Uma pergunta que me ocorre é sobre como normalmente os enxames são retirados dos telhados. Urbana de origem que sou, muitas vezes vi esta ação acontecer através do uso de venenos buscando o extermínio do enxame. Não tenho a intenção de entrar em nenhum juízo de certo e errado, pois cada um sabe da sua realidade. Porém, vendo a abundância desse momento de colheita e acompanhando de perto o movimento polinizador das abelhas aqui no Arupa, fica o incentivo à vida!
Coloco mais um produto na lista dos produtos Daqui que entrarão no nosso projeto para que muitos possam ser tocados por esta roda linda! Viva a vida!
Continue lendo >>
Almoço com amigos e bolinho de aipim
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Hoje tivemos um ótimo dia no Arupa. Visitas de novos e antigos amigos. Receitas novas e dicas preciosas... que tal fazer sakê orgânico... huuum, acho que me aventurarei nesta onda, mas terei que esperar por um fermento especial. Enquanto ele não vem, fico com as notícias de hoje.
Começamos com as pastinhas do Arupa: pasta de grão de bico (receita aqui) e relish de tomate verde. Acompanhando um delicioso pão orgânico da Iliete, nossa amiga da rede de trocas que já citei aqui, do restaurante Natureza Pura. Para completar a entrada, bolinho de aipim com iogurte. Delicinha que terá a receita descrita no fim do post.
Partimos para o almoço, um banquete. Eu fiz uma torta de ervilha torta com espinafre e massa podre, seguindo a receita que já coloquei aqui. Além dela, arroz integral e uma salada. Nosso mais novo e querido amigo Tim, recém chegado de um mosteiro no além mar, fez um verdadeiro banquete: 04 tipos de curries (de banana, abobrinha, coco e batatas), casca de banana frita (isso mesmo! deliciosa!) e um molho de pimenta para consagrar o banquete.
Para finalizar, uma sobremesa perfeita: manga cozinha na manteiga com suco de cítricos (laranja e limão) com 03 pimentas e açúcar mascavo, acompanhada de sorvete de creme e finalizada com geléia de butiá. Sem explicação. Mesmo acreditando que após o banquete não haveria espaço para mais nada, a galera chegou a se servir 03 vezes de sobremesa.
Boa mesa, boa companhia, boas risadas, bons tempos! Abundância na última potência!
Conforme prometido, abaixo a receita do bolinho de aipim que fica delicinha com iogurte.
04 xícaras de aipim cozido (aqui do sítio que estava congelado da última safra)
01 ovo (do vizinho)
10 colh de sopa de farinha de trigo (da feira ecológica)
10 colh de queijo parmesão ralado (do supermercado)
Salsinha picada a gosto (daqui do sítio)
Sal marinho a gosto (daqui do sítio)
01 colh de manteiga amolecida (do supermercado)
Farinha de rosca ou milho ou arroz para finalizar (da feira ecológica - usei arroz)
Amassar o aipim com garfo. Acrescentar os demais ingredientes (menos a farinha para finalizar) e misturar bem. Fazer bolinhos em formato de croquete e passar na farinha de arroz. Colocar em forma untada. Assar em forno pré aquecido a 180 graus por uns 20/30 minutos, virando na metade do tempo.
Obs. a massa fica meio mole, passar farinha de arroz nas mãos. Continue lendo >>
Observar, escrever, plantar...
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Recentemente falei de loucura e sanidade com um amigo. Muitas vezes olho para a vida que nos abarca e vejo uma sanidade absoluta. Em outras, principalmente quando “volto ao mundo”, tenho a impressão de ser um “allien”, completamente in-sano. Acho que as duas respostas estão certas. Ou nenhuma delas...
O convívio com as coisas do sítio me ensina um bocado de coisas. Coloca eventos em perspectiva e a percepção sobre onde eles acontecem se amplia. Naturalmente, como os ciclos da natureza ou os círculos gerados por uma gota ao cair na água.... Nesta amplitude, carregar certezas torna-se sem sentido, pois elas em si têm um peso que imobiliza. Fica o 'simples' viver, com leveza e agilidade, com calma e tranquilidade, não mais uma metáfora da vida, mas a vida em si...
Sem as certezas, vai ficando cada vez mais desconfortável o ruído do mundo, onde posições são defendidas por Dom Quixotes lutando contra moinhos de ideias. Silenciar é a resposta. Voltar ao simples é o movimento. O vazio tomando conta. E o personagem Priya sumindo, sumindo...
Ufa! Um alívio!
O vídeo “O homem que plantava árvores” tem ecoado em mim. Sem mais, ele planta árvores. Sem menos, ele planta árvores. Aqui, uma metáfora da vida.
Quando colocamos as coisas em palavras, o quanto se esvai através delas? O quanto se constrói através delas? Tenho percebido um tanto de discurso, um tanto de quereres, um tanto de desejos, um tanto de certezas. E um tanto de distância real entre todos eles e a ação simples, direta. Onde é o eixo que tranca e faz este empacar e postergar? Parece-me que vivemos na era da procrastinação. A era da superficialidade. A era da instantaneidade e da volatilidade.
É mais fácil crer que as bandejas do supermercado não são galinhas de verdade. É mais fácil fazer filantropia do que olhar profundamente para as relações, incluindo as sociais. É mais fácil pegar o alho da gôndola do supermercado acreditando que há ética comercial embutida nele. É mais fácil responsabilizar o governo, os empresários, a igreja do que olhar para as próprias ações e seus impactos.
Responsabilidade. Não como dever, mas como a capacidade de responder ao que está posto.
Fazer de conta é a bola da vez, escancarada diariamente, inclusive nas redes sociais. Enquanto isso, as farmácias vendem psicotrópicos a varrer, anestesiando possibilidades de olhar para as coisas como elas são e acomodando os gritos surdos nesta Matrix de opiniões homogeneizadas.
Ao final, tudo se acomoda...
Fico com o homem que plantava árvores. Fico com a visão ampla, onde uma ação não tem um início. Nem um fim. Onde responsabilidade é. Antes mesmo do agente.
Fico sem vontade de debate. Fico sem vontade de Fóruns. Fico sem vontade de opiniões. Fico sem vontade de explicações. Fico sem vontade de justificativas. Fico sem vontades... Fico sem... Silencio.
Vou plantar...
Continue lendo >>
Falando em trocas...
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Primeiramente, vejo a importância de diferenciar feira de trocas, trocas diretas (clássica) permanentes e trocas eventuais.
Meu primeiro contato com uma feira de trocas foi na 1a. edição do curso Gaia Education que aconteceu aqui no Rio Grande do Sul, em 2009. Montamos uma feira de trocas, com moeda própria (que chamamos cuias), com banco, com lastro e foco na educação. Pela minha experiência, uma feira de trocas pontual como esta deve ter como foco a educação. O ato de trocar, os produtos que colocamos para outros e os que levamos conosco são alegrias consequentes. O dar-se conta do processo econômico é bem mais amplo e duradouro do que os próprios produtos.
Logo após esta feira, montamos uma feira no Casarão do Arvoredo. Para esta edição, foi impresso um folheto que foi entregue para todos os participantes (baseado no material que está linkado no final do post) e oferecemos uma palestra e dinâmica educativa antes de iniciarmos a feira.
Existem feiras regulares, não sei como é a questão educação nessas feiras. Mas, quando destaco a importância do processo educativo, estou ressaltando que ir a uma feira de trocas com a cultura de consumo vigente pode fazer a feira perder o sentido. A questão educação deve ser sempre revisitada, sendo em uma feira pontual ou permanente.
Me deu até vontade de organizar uma nova feira de trocas: com moeda, banco, lastro e palestra/dinâmica educativas. Alguém a fim?
Já as trocas diretas permanentes, para nós, foram um passo além. Nos demos conta do excedente que tínhamos e soubemos de produtos de vizinhos que nos interessavam. Fomos bater à porta deles. Em cada situação o acerto é de uma forma:
1 – Valoramos os nossos produtos com o preço de mercado (moeda corrente) e trocamos leite por ovos. Neste meio tempo, os ovos subiram de preço. Porém, na nossa relação de troca, nada mudou, manteve-se xx ovos por xx litros de leite.
2 – Valoramos o leite e criamos uma conta corrente de trocas com o restaurante Natureza Pura. Parte trocamos por pão e o restante fica em aberto, podendo ser almoço ou produtos da lojinha. Temos um caderninho.
3 – No CEBB trocamos o leite por dinheiro (venda mesmo). Se pensarmos bem, não deixa de ser uma troca, pois dinheiro também é energia. Porém, por ser troca por dinheiro, há chances dos recursos escoarem. Não entrarei em detalhes, fica pendente para um momento educativo em uma possível Feira de Trocas. Entretanto, mesmo sendo uma venda, mantenho aqui como troca. Não temos venda dos nossos produtos, somente esta, pois contempla uma relação social/ambiental bem mais ampla do que apenas uma relação comercial. Creio que ainda teremos uma troca por produtos... estou torcendo pela safra de aipim. Falei disso na palestra, vide link.
As trocas diretas permanentes nasceram quando foi integralizada a cultura experimentada através da feira do Gaia. Para mim, o processo educativo estabelecido através da feira foi e é muito importante. A revisão do modelo vigente se dá através de uma experiência prática. O que possibilita colocar uma luz direta no modelo atual.
A partir da feira também surgiram as trocas eventuais. Teve uma pessoa que amou meu doce de goiaba e queria muito. Acabamos fazendo uma troca. Semana passada fiz um curso de pintura maravilhoso com minha querida amiga Tiffani. Este curso também foi uma troca, já que em dezembro ela participou do Temazcal que fiz aqui no sítio. O exercício de pensar em trocas vendo os talentos de cada um é muito bacana.
Muitas vezes, os talentos que ficam marginais na vida das pessoas ganham força quando reconhecidos nos ambientes de troca justa. Meus produtos culinários sempre fizeram sucesso nas feiras, muito mais do que consultorias de Web Design, por exemplo. De certa forma, as feiras também foram um incentivo para me dedicar mais à gastronomia. Um talento marginal que foi entrando em cena.
Aqui o link para o material bem bacana que serviu de referência para a feira que organizamos no Casarão do Arvoredo. Boa leitura! Continue lendo >>
Faltou laticínios... reflexos da seca!
sábado, 21 de janeiro de 2012
Palestra em 29/12/2011 no CEBB Viamão
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Compartilho o vídeo com a participação no evento "108 horas de paz" que aconteceu no CEBB Caminho do Meio, em Viamão/RS, entre os dias 28 e 30 de dezembro.
O tema geral do evento foi saúde e o tema específico da palestra foi "Vida Harmônica e Natural". Foi bem bacana!
Continue lendo >>
Banca do Senac trazendo presentes: Receita de uma deliciosa torta de frutas secas. Excelente dica para as festas de fim de ano!
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Conforme escrevi aqui, este ano eu fiz o curso Cozinheiro Básico do Senac. Sou uma fã de carteirinha do curso e tenho um orgulho enorme de dizer que sou uma cozinheira formada pelo Senac.
Neste fim de ano, tive a honra de ser convidada para fazer parte da banca avaliadora dos trabalhos finais dos grupos que terminaram o curso (link aqui para quem quiser ver o meu trabalho). É muito legal experimentar outro papel em um mesmo cenário, brincar com os personagens que a vida nos apresenta.
Voltar ao Senac é sempre uma festa, gosto tanto de lá, me sinto tão em casa que sempre fico me enrolando para ir embora. A troca com pessoas como os professores Marcus Monteiro (orientador da banca de ontem), Gabriel Rossi (meu orientador do ravióli de aipim), Marcus Jiorge e Mamadou (meus professores em sala de aula) é sempre muito boa. Amizade permeia a relação e amplia possibilidades para todos os lados.
Li, recentemente, no blog “Cozinheiro Viajante” (veja aqui) sobre a união dos profissionais da gastronomia espanhola. Este artigo também dá uma pincelada sobre a união dos profissionais aqui do Brasil.
Quando falo em sustentabilidade não há como não falar em abundância e circulação. Quando falo em sustentabilidade social, também está contemplado as relações de forma circular, positiva e abundante. É isso que sinto quando estou com meus queridos mestres e amigos do Senac. Não há espaço para vaidades, não há espaço para destaques individuais. Estamos todos no mesmo barco navegando nas ondas da gastronomia, do resgate de cultura, da busca de produtos sem impactos, da troca. É assim... no Senac me sinto em casa e agradeço.
Participei de duas bancas este ano, muito bacana: uma de culinária mediterrânea e outra de culinária da Grã -Bretanha. Ontem foi esta segunda. E tive a como parceiros de banca o Carlos, que tem vasta experiência em gastronomia e hoje dá aulas na Universidade do Senac e o Felippe Sica, com quem troco boas figurinhas virtuais e, assim como eu, compartilha saberes via rede (veja o novo site dele recém saído do forno).
Confesso que não conheço a culinária da Grã-Bretanha e tinha uma boa dose de desinteresse (até mesmo em função da quantidade de batatas e frituras que normalmente representam esta culinária). Fui positivamente surpreendida. Saí muito feliz! Nenhuma fritura, nenhuma batata. Pelo contrário, um cardápio diversificado e saboroso. O grupo está de parabéns. Douglas Machado, parabéns! Ulisses Guedes, parabéns! Saí da banca com gostinho de quero mais, saí com vontade de saber um pouco mais sobre esta cozinha. Abaixo o cardápio completo:
Entrada: Salada celestial de salmão – uma salada super refrescante de salmão defumado com funcho e pepino. Leve e marcante!
Prato principal: Coelho ao molho de mel e limão acompanhado de risoto escocês – delícia de molho do coelho e o risoto foi feito com cevadinha no lugar do arroz. Uma maravilha! Sou super fã da cevadinha, adorei!
Sobremesa: Torta Ecclefechan – Uma delícia de torta de frutas secas com nata. Delícia mesmo! Fiquei fã!
A Torta Ecclefechan é com frutas secas, bem cabível em uma ceia de Natal. Pedi a receita! Ganhei o trabalho todo deles, com todas as fichas técnicas, um carinho do grupo. Mais uma certeza de que a gastronomia do RS se baseia no compartilhar e na troca – sustentabilidade social. Muito bacana! Pedi autorização do Ulisses para compartilhar aqui no blog, o que foi prontamente aceito. Então, fica a dica de uma deliciosa torta com frutas secas. Eu fiz algumas adaptações, ou por falta de ingrediente, ou por querer um pitada da nossa cultura local.
Torta Ecclefechan – ao lado de cada ingrediente destaco a origem e qual alteração fiz.
Rendeu 10 tortinhas.
- 150 gr de farinha de trigo (da feira ecológica)
- 150 gr de manteiga (do supermercado)
- Uma pitada de sal (marinho da feira)
- 50 ml de whisky (usei cachaça brasileira orgânica)
- 100 gr de açúcar mascavo (da feira ecológica)
- 01 ovo (orgânico do vizinho)
- 100 ml de melado (não usei, pois não tinha)
- 150 gr de nata (do supermercado)
- 75 gr de passas de uva (do supermercado)
- 75 gr de groselha seca (coloquei 150 gr de passas de uva)
- 75 gr de nozes (usei pecãs da serra gaúcha)
- 01 limão (do mercadinho da esquina)
- 40 gr de açúcar (cristal orgânico do supermercado)
- 30 gr de gengibre (da feira ecológica)
- Raspas de 01 laranja (coloquei no lugar uma colh de sopa de geléia de laranja azeda orgânica que ganhei do vizinho)
Peneirar a farinha, acrescentar metade da manteiga, metade do whisky, pitada de sal e amassar com as pontas dos dedos sem sovar.
Reservar na geladeira por 15 min
Recheio
Picar as frutas secas
Misturar metade a nata, o restante da manteiga, um ovo, o açúcar mascavo e as raspas de laranja
Finalizando
Forrar forminhas de tortas com a massa. Fazer furos com um garfo e assar em forno a 180 graus por 04 a 06 minutos. Rechear e levar ao forno para dourar.
Preparar um xarope com o gengibre, o limão e o açúcar
Servir a torta com nata batida, o xarope e melado.
Meu toque final: finalizei com raspas de limão Continue lendo >>


















































